sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lição 31 (23-02-2010)

Trabalho de Casa

Ficha – Noite Serena

(Clica aqui para veres a ficha)

 

I

1. O passado é evocado neste poema e caracteriza-se como calmo, suave, sossegado, bom, como vemos nos versos: “Suave todo o passado”,  “O sossego de outrora/Sossego de várias espécies” e “E tudo bom e horas/De um bem…”.  O poeta refere ainda que estes tempos eram bons, pois não se preocupava com o futuro: “A infância sem futuro pensado”.

2. Os quatro primeiros versos referem-se à infância do poeta, às suas recordações, o que lhe desperta uma certa nostalgia, como vemos nos versos seguintes. Mas no verso 13, esta canção já não desperta o mesmo sentimento de felicidade ao poeta, pelo contrário, apercebe-se da vida perdida, a sua vida de infância, como diz no verso anterior: “Meu deus, que fiz eu da vida?” e nos versos 16 e 17: “Lembro-me mas esqueço./E dói, dói, dói…”

3.  A expressão “aqui” é utilizada para representar o presente, a dor e o sofrimento, e a impossibilidade de voltar atrás no tempo. Enquanto que o “lá” é utilizado para representar o passado, a infância, os seus tempos de felicidade, onde tudo era bom.

4. A repetição de “dói” sublinha o sofrimento do poeta ao recordar a sua infância feliz e a impossibilidade de voltar a vivê-la.

5. O poeta, relativamente ao presente, sente uma grande dor, e sofrimento. Ainda mais quando relembra o passado, a sua infância. No final do poema apercebemo-nos do sofrimento que o presente e o passado provocam ao poeta. E dor do presente, com o sofrimento de não poder recuar no tempo, provocam um grande desespero ao sujeito poético.

II

Ricardo Reis, acredita que devemos gozar o presente (carpe diem), mas de forma moderada. Defende que não devemos sentir emoções extremas, pois estas podem-nos provocar grandes desilusões. Mas este controlo das emoções lança o poeta numa grande melancolia e tristeza, podemos constatar isso nos seus poemas.

Este autodomínio, devido à influência do Epicurismo e do Estoicismo, permite a aceitação da morte de uma forma calma e sem receio, e de levar uma vida de forma apática, sem emoções.

Ricardo Reis acredita ainda que tudo acontece por alguma razão, daí encarar a morte de forma tão calma. Acredita na ordem natural das coisas, na Natureza, e por isso defende que não devemos lutar contra ela.

Lição 30 (09-02-2010)

(Clica aqui para veres a resolução da ficha)

 

Grupo I

Que noite serena!
Que lindo luar!
Que linda barquinha
Bailando no mar!

Suave, todo o passado — o que foi aqui de Lisboa — me surge...
O terceiro andar das tias, o sossego de outrora,
Sossego de várias espécies,
A infância sem futuro pensado,
O ruído aparentemente contínuo da máquina de costura delas,
E tudo bom e a horas,
De um bem e de um a horas próprio, hoje morto.

Meu Deus, que fiz eu da vida?


Que noite serena, etc.

Quem é que cantava isso?
Isso estava lá.
Lembro-me mas esqueço.
E dói, dói, dói...

Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.

Depois de ler atentamente o poema responda, cuidadosamente, às questões que lhe são colocadas:

1. Neste poema, o sujeito poético evoca o passado. Refira os traços caracterizadores desse passado, justificando a sua resposta com exemplos do texto.

2. Os quatro primeiros versos são a citação de uma cantiga, retomada, parcialmente, no verso 13. Explique a sua função neste poema.

3. Explicite o sentido das expressões: “aqui”(v.5) e “lá”(v.15).

4. Comente o efeito expressivo da repetição: “E dói, dói, dói…”(v.17).

5. Analise os sentimentos do sujeito poético, relativamente ao presente.

Grupo II

“Ricardo Reis é considerado um homem lúcido e cauteloso, que tenta construir uma felicidade relativa; um misto de resignação e de moderado gozo que não compromete a sua liberdade interior.”

Fazendo apelo à sua leitura, comente e fundamente a afirmação apresentada num texto expositivo-argumentativo bem estruturado, de cem a duzentas palavras.

Lição 30 (09-02-2010)

Qual é a relação entre os Lusíadas e a Mensagem? (20 linhas)

Tanto os Lusíadas como a Mensagem têm como objectivo mostrar os grandes feitos de Portugal, as suas conquistas, os seus feitos, etc… Embora estes tenham sido escritos em tempos diferentes e a Mensagem tenha sido inspirada nos Lusíadas. Os dois mostram, também, um lado místico com previsões de futuro.

Lição 30 (09-02-2010)

OS LUSÍADAS

Estrutura externa – 1102 estâncias ou estrofes, 10 cantos, oitavas, rimas a b a b a b c c.

Na narrativa de OS LUSÍADAS há 4 planos distintos:

  1. PLANO DA VIAGEM: Narrativa dos acontecimentos ocorridos na viagem entre Lisboa e Calecut: partida, peripécias ocorridas, chegada a Calecut, regresso a Lisboa.
  2. PLANO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL: Relato dos factos mais marcantes da História de Portugal, relatados por Vasco e  Paulo da Gama ao Rei de Melinde.
  3. PLANO DA MITOLOGIA: Os deuses são adjuvantes (auxiliares) da acção dos Portugueses e auxiliam-nos frequentemente. Episódios mais marcantes: Consílio dos deuses no Olimpo e Ilha dos Amores.
  4. PLANO DO POETA: Reflexões do poeta e considerações várias que surgem normalmente no início e no final de cada canto. Através destas reflexões o poeta defende o ideal humanista ou renascentista. Faz a apologia dos descobrimentos e da Expansão, o elogio da cultura, das letras e do saber, a defesa da Ciência e das novas descobertas e coloca o homem culto e com capacidade de sonhar, no centro do universo. Queixa-se, porém, dos que querem ser heróis à custa dos outros, dos que vivem pela cobiça, dos que são tiranos e egoístas.

A MENSAGEM

Estrutura e valores simbólicos

A Mensagem é constituída por 44 poemas agrupados em 3 partes que correspondem às etapas da evolução do próprio Império Português: nascimento, realização e morte. No Brasão surgem todos os construtores do Império, em Mar Português o sonho do mar (“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”). Em O Encoberto fala-se do destino mítico e oculto de Portugal.

 

EM SÍNTESE:

  1. Brasão – faz a localização de Portugal a nível mítico e geográfico ( Portugal é o Rosto da Europa). Apresenta os Portugueses como um povo de heróis construtores de um Império Marítimo,
  2. Mar Português – Apresenta a concepção, messiânica de Portugal, as lágrimas salgadas das mães que sofreram o embarque de maridos e filhos, o mar que contém as lágrimas e que com elas engrossou.
  3. O Encoberto – É a parte profética, oculta, simbólica. Divide-se em: Os Símbolos, Os Avisos, Os Tempos e fala de profecias passadas e futuras. Relembra o Padre António Vieira, defensor do 5º Império.

Lição 30

09-02-2010

Sumário: A Mensagem e os Lusíadas relativamente à estrutura e estrutura e intenção da obra. Análise de alguns textos.

Lição 29 (05-02-2010)

Trabalho de Casa – Conceito de epopeia, poema épico e Ulisses      

       A epopeia era o género literário que a poética clássica oferecia aos poetas do Renascimento para exaltar feitos excepcionais e imortalizar heróis, à semelhança da Ilíada e da Odisseia de Homero, ou da Eneida de Virgílio. E constituía, justamente, a ambição máxima do poeta clássico: rivalizar com os antigos no género que eles consideravam o mais nobre o mais elevado.

       O poema épico respeita uma série de convenções. A epopeia deve ter uma exposição sintética da matéria que depois desenvolverá, e deve invocar as divindades para receber a sua inspiração a narrativa não se iniciará no princípio da acção, mas in medias res, isto é, no meio num momento susceptível de despertar imediatamente o interesse dos leitores.

http://209.85.229.132/search?q=cache:BjxIlU2lxUQJ:www.exames.org/index.php%3Foption%3Dcom_docman%26task%3Ddoc_download%26gid%3D1252%26Itemid%3D27+poema+epico&cd=5&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt

 

       Na Odisseia o argumento é centrado em Ulisses e seus companheiros, no seu filho (Telémaco) e na sua mulher (Penélope). Ulisses, rei de Ítaca, é esperado durante anos, após a guerra de Tróia, pela mulher e pelo filho. Penélope, assediada por vários pretendentes, promete-lhes escolher marido quando acabar de tecer um tapete, que tece durante o dia e desfaz de noite. Telémaco corre diversas aventuras à procura do pai. Ulisses vê dificultado o seu regresso a Ítaca por diversos obstáculos: tempestades, magos, sereias, etc. Entre os perigos que passam Ulisses e os seus companheiros conta-se a luta com Polifemo, gigante com um só olho na fronte e devorador de homens. Ulisses chega por fim a Ítaca incógnito, mata os pretendentes e, finalmente, é reconhecido pela mulher e pelo filho.

       A Odisseia é um conjunto de aventuras mais complexo que a Ilíada. As astúcias de Ulisses, as aventuras do seu corajoso filho Telémaco, a fidelidade de Penélope e outros aspectos desta epopeia fazem que seja mais humana, perante o aspecto predominantemente heróico da Ilíada.

http://www.vidaslusofonas.pt/homero.htm

Lição 29 (05-02-2010)

Trabalho de Casa – Resumo das págs. 160 a 169

Biografia de Luis de Camões

1524

Nasce em Lisboa, pertencente a uma família de pequena nobreza, de origem galega, que viera para Portugal.

1542/1545

Deixa os estudos, pois ganhava a fama de bom poeta

1549/1551

Viaja para Ceuta e permanece lá

1552

Regressa a Lisboa e é preso, é libertado e segue para a Índia na Armada de Fernão Álvares Cabral

1554

Entre Fevereiro e Novembro embarca na armada de D. Fernando de Meneses, para patrulhar o Mar Vermelho. É também aqui que escreve a canção “Junto de um seco, fero e estéril monte”

1558/1559

De regresso a Lisboa, naufraga, salvando apenas o livro d’Os Lusíadas

1560

Antes de Setembro chega a Goa

1567

Viaja para Moçambique, e permanece por lá 2 anos.

1572

Trazido para Lisboa por Diogo Couto, pois vivia na miséria em Moçambique, a publicação do volume da sua epopeia dá-lhe melhor qualidade de vida, pois recebe uma grande quantia de dinheiro por parte de D. Sebastião.

1578

Morre numa pobre casa da Calçada de Santana.

 

Organização d’Os Lusíadas

Objectivo d’Os Lusíadas:

· Contar a história de Portugal

· Dar a conhecer regiões geográficas e povos descobertos

· Mostrar as considerações de diversa natureza (filosóficas, morais, politicas)

· Dar a conhecer mais profundamente a mitologia

 

Como se organizam estes pontos?

1. Acontecimento de relevo – a viagem de Vasco da Gama

2. Acontecimentos secundários

3. Ligação de ambos através de anacronias (interrupção da acção principal para nela se encaixar um episódio ou narração que não vem na sequência cronológica)

a. Vasco da Gama conta a história de Portugal em Melinde – Cantos II, III e IV (longa analepse);

b. Marinheiros de vigília contam histórias – Canto VI

c. Paulo da Gama narra os feitos notáveis da História Portuguesa – Canto VI

d. Uma ninfa relata os acontecimentos atinentes às descobertas posteriores à viagem de Vasco da Gama – Canto X

4. Narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde é interrompido no momento em que a acção já atingiu um ponto que desperta o interesse do leitor – in medias res

5. Introdução de episódios e figuras que se podem investir em conteúdo épico e pedagógico – Afonso Henriques, Egas Moniz, Nuno Álvares…

6. Orientação para a interpretação da História de Portugal – luta contra o maometano na reconquista da Península Ibérica e nas conquistas ultramarinas

7. Introdução da mitologia:

a. Mitos

b. Conhecimento do futuro

c. Divindades

8. A narração interrompe-se para dar lugar a discursos – considerações do poeta

a. Tipos: oratórios, exortativos, pedagógicos, líricos, elegíacos, confessionais

b. Objectivo: vincular a sua mensagem cívica e pedagógica, louvar e imortalizar os heróis

 

Renascimento e Classicismo

Renascimento

Classicismo

Séc.XIV até Séc. XVI

 

Itália

 

Movimento de renovação das artes e das letras, do pensamento, das ciências e do ensino

Riqueza e perfeição das obras

O Humanismo é o fundamento cultural do Renascimento: consiste no estudo da humanidade, da gramática, da retórica, da poética, da história e da filosofia moral, no culto da língua latina e grega e dos seus autores

O engenho e os dotes naturais do poeta devem-se conciliar com as exigências da arte

Os humanistas do Renascimento crêem que estes estudos são a expressão mais autêntica e a salvaguarda mais segura da dignidade do Homem

Princípio da normatividade

 

Equilíbrio, simplicidade e elegância das formas, enriquecendo com cultismos de origem helénica e latina

 

Epopeias, tragédias, odes, elegias e éclogas

 

A mitologia n’Os Lusíadas

  • Fontes da obra
    • História do Descobrimento – Fernão Lopes de Castanheda
    • Conquista da Índia pelos Portugueses – Fernão Lopes de Castanheda
    • Roteiro da Viagem de Vasco da Gama
  • Fontes cosmológicas desconhecidas, algumas possibilidades:
    • Experiência própria
    • Roteiro de Lisboa a Goa – D. João de Castro
    • Theoricæ Novæ Planetarum – Jorge Purbáquio
    • Tratado da Sphera – Pedro Nunes
    • Nicolau Copérnico

       Ao ler Os Lusíadas podemos constatar que o autor não podia apenas basear-se na sua própria experiência. Alguns destes livros são uma possibilidade do seu estudo da cosmologia, por exemplo Nicolau Copérnico. Acredita-se que Camões terá estudado as suas obras, mas também existe a possibilidade de que este não tivesse conhecimento das suas teorias, pois Copérnico, nos tempos de Camões, não era tão ideologicamente marcado como veio posteriormente a estar.

       Então, temos certezas de que existem múltiplas referências celestes na sua obra, só não temos certezas de que referências são essas.

 

Breve resumo da História de Portugal

 

1147

Afonso Henriques ajuda um grupo de cruzados ingleses e franceses, que vinham conquistar Lisboa aos mouros

1249

São expulsos os últimos mouros de Portugal

1385

Batalha de Aljubarrota

1386

Tratado de Windsor

1415

Conquista do porto mouro de Ceuta

1419

Construção do porto de Sagres

1420

Exploração do litoral do Oeste Africano

1457

Implementação do cruzado – 1ª moeda de ouro

1488

Bartolomeu Dias dobra Cabo das Tormentas

1492

Portugal aceita 60 mil judeus expulsos de Espanha

1496

Contra-Reforma Católica - D. Manuel I obriga judeus a converterem-se ao Cristianismo

1500

Descoberta do Brasil

1580

Perca da independência para Espanha

 

Síntese

  • Os Lusíadas são um texto renascentista traduzindo o espírito optimista do Renascimento e a inspiração humanista
  • A oscilação entre a fé e a dúvida, entre o optimismo e pessimismo criam uma divisão dramática que atinge os próprios fundamentos da épica
  • Esta tensão interna constitui uma das manifestações mais acentuadas do maneirismo
  • Os Lusíadas celebram os Portugueses enquanto nação e colectividade
  • É uma epopeia que selecciona os episódios e as figuras, de modo a fazer avultar o lado heróico e exemplar da História, cantando-a
  • O poema é universal, louva não só os Portugueses mas o homem em geral
  • Os Lusíadas celebram a capacidade de alargar e aprofundar o saber e de não ser vítima da fatalidade
  • Um dos temas épicos consiste na comparação sistemática com os modelos antigos, com o apogeu na divinização dos heróis
  • Camões é também a consciência crítica. Não desconhece nem esconde os erros, os defeitos e os crimes dos portugueses. No final do Canto VII denuncia com mágoa a hipocrisia e o abuso do poder
  • Relembra que a Cristandade atravessa um momento crítico devido às divisões religiosas motivadas pela Reforma
  • A apoteose encerra num fundo pessimista, confessa que o poeta não acredita na recompensa real dos heróis. Celebra o povo, mas ao mesmo tempo revela a sua incapacidade de saber reconhecer os seus filhos mais dignos
  • O poeta designa-se a si próprio como um dos portugueses dignos de menção na epopeia

Lição 29 (05-02-2010)

Ficha de ortónimo e heterónimos de Fernando Pessoa

(Vê aqui a ficha)

 

A quem pertence o excerto e porquê?

 

A – Alberto Caeiro, porque recusa o pensamento, privilegiando as emoções. “Pensar é estar doente dos olhos”

B – Ricardo Reis, fala dos deuses; uso do imperativo.

C – Fernando Pessoa, devido à quadra, fingimento poético.

D – Alberto Caeiro, porque vive o presente, gozando cada impressão como se fosse única e original; vive de impressões.

E – Álvaro Campos, pelo fascínio pelas máquinas e bastantes apóstrofes e anáforas; verso livre.

F – Álvaro de Campos, devido às máquinas e velocidade; aliteração.

H – Ricardo Reis, indiferença perante o mundo.

G – Fernando Pessoa, porque constatamos aqui uma nostalgia e saudade da infância; poema em quadras.

I – Ricardo Reis, paganismo.

J – Alberto Caeiro, devido às  impressões visuais; metáfora da estrada; valorização da Natureza.

Lição 29 (05-02-2010)

Ficha - Ortónimo e Heterónimos de Fernando Pessoa

(Clica aqui para veres a resolução da ficha)

Lição 17 (23-11-2009)

Desenvolvimento de um verso de Caeiro

“O meu olhar é nítido como um girassol”

“Amar é a eterna inocência,/E a única inocência é não pensar...”

Amar é não pensar. Apenas sabemos amar quando sabemos não pensar. Quando sabemos sentir, e sentir unicamente. Apenas sei que amo por não saber o que amo. Amo por simplesmente amar. Quando amamos não sabemos o que amamos nem porque amamos, porque não pensamos. Se pensarmos não amamos. Sentir não é pensar. Quando pensamos e tentamos perceber algo estamos a tirar-lhe a beleza. A espontaniedade é a maior linguagem do amor, porque agimos sem pensar, agimos pelo que sentimos. Os verdadeiros sentimentos habitam aí, no não racional, no sentimental.

Por isso sê espontâneo e diz amo-te a uma flor, se é isso que sentes. Abraça uma árvore e beija-a, se é isso que sentes. Se te chamarem louco, sorri. Sabes sentir e amar. Pior é aquele que não sente do que aquele que sente, ama e o demonstra.

Lição 16 (17-11-2009)

Poema de Fernando Pessoa - “Ah, quanta vez, na hora suave”

(Consulta a ficha aqui)

(Consulta a 2ª parte da ficha aqui)

1. O poema sugere-me três ideias principais: liberdade, simplicidade e facilidade.

Liberdade – “porque ter asas simboliza liberdade”. A ave tem liberdade, voa por onde quer, no céu aberto que é o seu mundo, um espaço imenso. O autor tem o seu mundo limitado pelo racional, não é como a ave que não pensa. Não pensar é ter liberdade para o poeta.

Simplicidade – “Ah, quanta vez, na hora suave/Em que me esqueço”. A ave não é racional, não pensa, não se lembra nem esquece das coisas, dos problemas. Mais uma vez o poeta demonstra o seu desejo de não ser racional, sentir apenas as coisas como a ave e ser livre e simples como ela.

Facilidade – “Porque vai sob o céu aberto/Sem um desvio”. A ave tem todo o céu para ela, um espaço amplo, sem obstáculos em que tenha que fazer desvios. É isto que o autor quer, ter uma vida sem barreiras, sem ter que trocar de caminhos devido aos problemas que vão surgindo. Ter uma vida simples como a de uma ave.

2. A tristeza do poeta provém do facto de ele não poder ser livre como as aves, está limitado pelo pensamento, pelo facto de ser racional. As aves voam em céu aberto sem obstáculos, enquanto que o poeta tem que ultrapassar várias barreiras ao longo da vida. Ele quer a liberdade, a simplicidade e a facilidade de uma ave.

3. O poeta utiliza a aliteração em “v” precisamente pelo voo da ave. O “v” é a sonoridade do seu voo. Ele demonstra o seu desejo também através deste jogo de sons, por exemplo em “Vejo passar um voo de ave” e logo de seguida o poeta diz que se entristece. Este som dá mais ênfase ao seu desejo de ser uma ave.

4. Para Fernando Pessoa, felicidade e racionalidade não são compatíveis. Para o poeta, ser feliz, exige ser como uma ave, como vimos no poema anterior. Ser livre (de pensamentos), não ter obstáculos, não ter problemas, enfim, ter uma vida simples.

O poeta no poema “A dor de pensar” demonstra, também, este desejo, mas aqui na ceifeira, por ela ser inocente e simples como uma ave: “Ter a tua alegre inconsciência”. Ainda, neste poema, o poeta demonstra uma grande e complexa rede de pensamentos, todos eles lógicos. Mas são estes pensamentos que o impedem de ser feliz: “Ter a tua alegre inconsciência,/E a consciência disso”, assim como o seu pensamento na citação referida acima. Ele apenas quer ser feliz, mas o conhecimento, “a ciência” (“A dor de pensar”), não o permitem, porque existe um amplo leque de circunstâncias que o impedem. No poema “Ah, quanta vez, na hora suave” quer ter o que o voo da ave tem, dentro de si, e no poema “A dor de pensar” que ser a ceifeira, mas sendo ele ao mesmo tempo. Coisas que são impossíveis, mas que ele deseja, porque acredita que só assim consegue ser feliz.

Lição 16 (17-11-2009)

Ficha - "Ah! Quanta vez na hora suave"




Lição 8 (13-10-2009)

Ficha de Trabalho sobre Resumo e Síntese

 

1. Um resumo contém uma linguagem objectiva e exige uma redacção de um novo texto. Um resumo não deve exceder 1/3 do texto-base. Na coluna da esquerda constatamos que se aplicam todas as regras, logo concluimos que o texto da esquerda é um resumo.

2. O título remete-nos para uma ideia de coração saudável, de como tratar deste orgão vital. Logo, partindo da expressão “Coração feliz” o autor desenvolveu toda a sua ideia: dos portugueses não cuidarem bem do seu coração e do risco das doenças cardiovasculares ser cada vez maior no nosso país.

3. A primeira parte em que o texto foi divido corresponde à introdução, pois o autor explica brevemente e não sucintamente o assunto em causa. Apenas na segunda parte do texto é que o autor desenvolve o assunto iniciado na primeira parte, explicando o porquê das suas afirmações iniciais, a esta parte corresponde o desenvolvimento. De seguida o autor finaliza com um breve resumo das ideias principais, a esta parte corresponde a conclusão.

4. Os portugueses não têm conhecimento clínico e baseiam-se no senso-comum. Criam mitos que custam caro à saúde pública, o que aumenta a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares.

Lição 23 (05-01-2010)

Trabalho de Casa – “Ode Triunfal” de Álvaro de Campos

Pág. 56

1.

1.1. O título apresenta duas palavras “Ode” e “triunfal”. Álvaro de Campos utiliza a palavra “Ode”, pois esta associa-se a hino, porque o poema, pelo seu ritmo, é uma ode que elogia algo. E essa algo é o quê? Neste caso, o poeta faz um louvor às máquinas, aos “grandes ruídos modernos”, desejando cantá-los “com um excesso/De expressão” de todas as sensações (versos 12 e 13). Este cântico de louvor é um elogio à civilização moderna e, por isso, o poeta recorre ao adjectivo “triunfal” para reforçar a ideia de louvor.

 

2. Álvaro de Campos “canta” o progresso e a modernidade e revelando entusiasmo, mas ao mesmo tempo, sofrimento: “Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos”, verso 10; “E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso”, verso 12; “Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical”, verso 15. Podemos então concluir que o seu estado de espírito apresenta sentimentos contraditórios: euforia (“Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro”, verso 17), mas também nervosismo, inquietação, agitação, ansiedade e angústia (“À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica/Tenho febre e escrevo”, versos 1/2).

 

3. As expressões que permitem estabelecer uma relação com o movimento/barulho produzido pelas máquinas são:  “Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!” e “Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando”.

 

4. Os traços da modernidade presentes no texto são o futurismo e o sensacionismo. O poeta apresenta “vertigens” das sensações modernas, da satisfação da imaginação, da energia explosiva (“Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! / Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! / Em fúria fora e dentro de mim”, versos 5,6 e 7), manifesta entusiasmo por uma poesia que retrate a civilização industrial da época (“Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força”, verso 16). O poeta utiliza uma linguagem arrojada, marcada por onomatopeias, interjeições, apóstrofes, frases exclamativas, neologismos, estrangeirismos, muito diferente de uma estética aristotélica, o poema é marcado por versos longos e livres.

 

5.

Preciso contar!

Preciso contar os minutos.

Preciso contar as horas.

Preciso contar!

 

Preciso contar!

Preciso contar os dias.

Preciso contar as semanas.

Preciso contar!

 

Preciso contar!

Preciso contar os meses.

Preciso contar os anos.

Preciso contar!

 

Preciso contar!

Contar o que falta (quanto tempo falta?)

O que me resta, senão a pressa

De ver o tempo passar?

Preciso contar!

 

Sem contar o tempo

Que passei, sem contas

Do quanto precisava contar

 

Dei-me conta de que o tempo passou

O tempo passou

E eu ainda preciso contar!

Lição 18 (27-11-2009)

2x26

Poema “Mar, Manhã” - Fernando Pessoa

(consulta a ficha aqui)

 

1. O sujeito poético, ainda que perceba à primeira vista o belo movimentar das ondas descritas no poema, parece não senti-lo: ele mostra-se ausente, ou finge estar ausente, embora, possivelmente, indiferente às manifestações da Natureza ("E a minha sensação é nula/ Quer de prazer, quer de pesar…"). Ele não se afirma em espírito, toda a grandeza do oceano e do céu revelam aos olhos do poeta o vazio significante do Ser e das coisas.

 

2. O título é constituído por duas palavras mar e manhã, a que o poeta faz referência, através de palavras ou expressões específicas durante o poema.

Mar: por exemplo: “onda do mar”; “oceano”; “ondula”; “onda”.

Manhã: por exemplo: “à brisa da manhã”; “arrebol”.

 

3. Para muitos poetas o mar representa a mais pura revelação da alma de quem procura (re)conhecer-se, tentam libertar-se do horror que é viver alienado. Afinal, o mar reflecte, podemos assim dizer, a angústia de quem vive numa sociedade hipócrita, que impõe valores materiais, destrói comunidades e controla vidas.

O sujeito poético sente-se melancólico, pois está farto de viver numa sociedade burocrática e, tal como descrito em cima, sente-se alienado, não sente pertencer a este mundo. Então, ao contemplar o mar, tenta descobrir a liberdade e resistência a tudo o que pertença à organização do mundo burguês

 

4. Três dos recursos estilísticos existentes no poema são: a aliteração, comparação e adjectivação.

Aliteração – repetição do som “q”: “Como uma cobra que em serenas/Dobras se alongue a colear”. O poeta utiliza a aliteração com o objectivo de chamar a atenção do leitor para a mensagem que este está a tentar transmitir.

Comparação – comparação da onda do mar com uma cobra: “Este correr da onda do mar, /Como uma cobra que em serenas”. O poeta utiliza este recurso estilístico para descrever a ondulação do mar, que ondula de um lado para o outro como o rastejar da cobra.

Adjectivação – caracterização de tudo o que vê: “Unido e vasto e interminável”. O poeta utiliza a adjectivação para descrever o que vê, atribuindo-lhe características, é também utilizada para enriquecer o poema.

 

5. O poema tem 5 estrofes, cada uma delas com 4 versos (quadras). O número de sílabas em cada verso varia entre 7 (heptassílabos ou redondilha maior) e 8 (octossílabos). A rima é sempre cruzada.

 

6. Algumas das características da poesia ortónima de Fernando Pessoa são:

· a simplicidade formal (a quadra, a rima cruzada), como nos poemas: “Autopsicografia”, “A dor de pensar”, …;

· a temática marinha (símbolos como o mar, o oceano), utilizada também nos poemas: “Tudo o que faço ou medito”, “Entre o sono e o sonho”, …;

· a perspectiva racional, distanciada, sobre os sentimentos (“a minha sensação é nula”), como é característico também nos poemas: “A dor de pensar”, “Autopsicografia”.

2x26

Lição 18 (27-11-2009)

Ficha de Trabalho - Mar, Manhã

(clica aqui para veres a resolução da ficha)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Lição 29 (05-02-2010)

 

Os Lusíadas

A Mensagem

Epopeia que louva os feitos gloriosos dos portugueses no período dos descobrimentos e reflecte toda a história de Portugal e os feitos de todos os Reis e heróis.

Epopeia Mítica em louvor do 5º Império.

Assinala algumas personagens extraordinárias que ajudaram a construir um Portugal digno de ser distinguido no mundo e nos homens.

Lição 28 (02-02-2010)

QUEM É ÁLVARO CAMPOS?

       O poeta que quer pensar, mas refere: “dói-me o que irei concluir”, “tenho sido como erva arrancada, deixada em molhos, sem sentido”, “cansa-me mesmo o que ainda não li”, “adormeço sem dormir, ao relento da vida”, “o destino humano é ser escravo”, “um mal-estar a fazer-me pregas na alma”, por isso “vivo a vida vegetativa de pensamento”.

 

Dactilografia

Infância/sonho, felicidade Real/monótona, infeliz, banal, falsa
VIDA MORTE
 

Síntese do poema: o poeta considera-se enterrado em vida, pois a vida real é pesada, monótona, em que a regularidade dos gestos, transmite a própria regularidade do sofrimento. A única forma de vencer o desespero é isolar-se através da meditação do sonho, da recordação da infância, da memória dos castelos, dos livros de infância, grandes livros coloridos cheios de imagens opostas (“paisagens do Norte”, “palmares do Sul opulentos”) que o colocavam num estado de fantasia próximo do sonho, do irreal, da felicidade. O contraponto é o som “banalmente sinistro” da sua realidade que se traduz no “tic-tac” estalado das máquinas de escrever. Conviver com os outros dá-nos uma vida falsa, uma espécie de névoa que faz com que caminhemos apenas para a morte.

maqescrever05

Lição 23 (05-01-2010)

Álvaro Campos

 

Industrialização Sociedade Contemporânea
  • tipografia
  • máquina de escrever
  • luz eléctrica
  • navios
  • automóvel
  • motor
  • pederastas
  • escrocs
  • burguesinhas
  • aristocratas
Sente: amor, paixão, desejo Sente: desprezo, nojo, fúria, vómito, espasmo

Lição 17 (24-11-2009)

 

CAEIRO

Natureza Metafísica
Deus Sensações
paganismo Filosofia
  Religião

 

 

 

arvore08

RICARDO REIS

  • Arriscar
  • Falhar
  • Perder alguém
  • Desconhecido
  • Errar

Isto leva a:

    • Vida Imóvel
    • Contemplativa

Lição 29

05-02-2010

Sumário: Ficha de trabalho sobre Fernando Pessoa ortónimo e heterónimos.

                        Os Lusíadas e a Mensagem.

Lição 28

02-02-2010

Sumário: Análise de alguns poemas da 3ª fase de Álvaro Campos: “Dactilografia”, “O que há em mim” e “Aniversário”.

Lição 27

29-01-2010

Sumário: As três fases de Álvaro de Campos.

                        Trabalho de oficina de escrita.

Lição 26

15-01-2010

Sumário: Conclusão da apresentação dos livros do contracto de leitura do 1º período.

Lição 25

12-01-2010

Sumário: Continuação da apresentação dos livros do contracto de leitura do 1º período.

Lição 24

08-01-2010

Sumário: Apresentação dos livros do contracto de leitura do 1º período.

Lição 23

08-01-2010
Sumário: Análise dos poemas de Álvaro de Campos "Ode Triunfal" e "Lisbon Revisited".
                Sensacionismo, abulia e tédio.