sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lição 23 (05-01-2010)

Trabalho de Casa – “Ode Triunfal” de Álvaro de Campos

Pág. 56

1.

1.1. O título apresenta duas palavras “Ode” e “triunfal”. Álvaro de Campos utiliza a palavra “Ode”, pois esta associa-se a hino, porque o poema, pelo seu ritmo, é uma ode que elogia algo. E essa algo é o quê? Neste caso, o poeta faz um louvor às máquinas, aos “grandes ruídos modernos”, desejando cantá-los “com um excesso/De expressão” de todas as sensações (versos 12 e 13). Este cântico de louvor é um elogio à civilização moderna e, por isso, o poeta recorre ao adjectivo “triunfal” para reforçar a ideia de louvor.

 

2. Álvaro de Campos “canta” o progresso e a modernidade e revelando entusiasmo, mas ao mesmo tempo, sofrimento: “Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos”, verso 10; “E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso”, verso 12; “Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical”, verso 15. Podemos então concluir que o seu estado de espírito apresenta sentimentos contraditórios: euforia (“Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro”, verso 17), mas também nervosismo, inquietação, agitação, ansiedade e angústia (“À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica/Tenho febre e escrevo”, versos 1/2).

 

3. As expressões que permitem estabelecer uma relação com o movimento/barulho produzido pelas máquinas são:  “Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!” e “Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando”.

 

4. Os traços da modernidade presentes no texto são o futurismo e o sensacionismo. O poeta apresenta “vertigens” das sensações modernas, da satisfação da imaginação, da energia explosiva (“Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! / Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! / Em fúria fora e dentro de mim”, versos 5,6 e 7), manifesta entusiasmo por uma poesia que retrate a civilização industrial da época (“Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força”, verso 16). O poeta utiliza uma linguagem arrojada, marcada por onomatopeias, interjeições, apóstrofes, frases exclamativas, neologismos, estrangeirismos, muito diferente de uma estética aristotélica, o poema é marcado por versos longos e livres.

 

5.

Preciso contar!

Preciso contar os minutos.

Preciso contar as horas.

Preciso contar!

 

Preciso contar!

Preciso contar os dias.

Preciso contar as semanas.

Preciso contar!

 

Preciso contar!

Preciso contar os meses.

Preciso contar os anos.

Preciso contar!

 

Preciso contar!

Contar o que falta (quanto tempo falta?)

O que me resta, senão a pressa

De ver o tempo passar?

Preciso contar!

 

Sem contar o tempo

Que passei, sem contas

Do quanto precisava contar

 

Dei-me conta de que o tempo passou

O tempo passou

E eu ainda preciso contar!

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