Trabalho de Casa – Resumo das págs. 160 a 169
Biografia de Luis de Camões
| 1524 | Nasce em Lisboa, pertencente a uma família de pequena nobreza, de origem galega, que viera para Portugal. |
| 1542/1545 | Deixa os estudos, pois ganhava a fama de bom poeta |
| 1549/1551 | Viaja para Ceuta e permanece lá |
| 1552 | Regressa a Lisboa e é preso, é libertado e segue para a Índia na Armada de Fernão Álvares Cabral |
| 1554 | Entre Fevereiro e Novembro embarca na armada de D. Fernando de Meneses, para patrulhar o Mar Vermelho. É também aqui que escreve a canção “Junto de um seco, fero e estéril monte” |
| 1558/1559 | De regresso a Lisboa, naufraga, salvando apenas o livro d’Os Lusíadas |
| 1560 | Antes de Setembro chega a Goa |
| 1567 | Viaja para Moçambique, e permanece por lá 2 anos. |
| 1572 | Trazido para Lisboa por Diogo Couto, pois vivia na miséria em Moçambique, a publicação do volume da sua epopeia dá-lhe melhor qualidade de vida, pois recebe uma grande quantia de dinheiro por parte de D. Sebastião. |
| 1578 | Morre numa pobre casa da Calçada de Santana. |
Organização d’Os Lusíadas
Objectivo d’Os Lusíadas:
· Contar a história de Portugal
· Dar a conhecer regiões geográficas e povos descobertos
· Mostrar as considerações de diversa natureza (filosóficas, morais, politicas)
· Dar a conhecer mais profundamente a mitologia
Como se organizam estes pontos?
1. Acontecimento de relevo – a viagem de Vasco da Gama
2. Acontecimentos secundários
3. Ligação de ambos através de anacronias (interrupção da acção principal para nela se encaixar um episódio ou narração que não vem na sequência cronológica)
a. Vasco da Gama conta a história de Portugal em Melinde – Cantos II, III e IV (longa analepse);
b. Marinheiros de vigília contam histórias – Canto VI
c. Paulo da Gama narra os feitos notáveis da História Portuguesa – Canto VI
d. Uma ninfa relata os acontecimentos atinentes às descobertas posteriores à viagem de Vasco da Gama – Canto X
4. Narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde é interrompido no momento em que a acção já atingiu um ponto que desperta o interesse do leitor – in medias res
5. Introdução de episódios e figuras que se podem investir em conteúdo épico e pedagógico – Afonso Henriques, Egas Moniz, Nuno Álvares…
6. Orientação para a interpretação da História de Portugal – luta contra o maometano na reconquista da Península Ibérica e nas conquistas ultramarinas
7. Introdução da mitologia:
a. Mitos
b. Conhecimento do futuro
c. Divindades
8. A narração interrompe-se para dar lugar a discursos – considerações do poeta
a. Tipos: oratórios, exortativos, pedagógicos, líricos, elegíacos, confessionais
b. Objectivo: vincular a sua mensagem cívica e pedagógica, louvar e imortalizar os heróis
Renascimento e Classicismo
| Renascimento | Classicismo |
| Séc.XIV até Séc. XVI | |
| Itália | |
| Movimento de renovação das artes e das letras, do pensamento, das ciências e do ensino | Riqueza e perfeição das obras |
| O Humanismo é o fundamento cultural do Renascimento: consiste no estudo da humanidade, da gramática, da retórica, da poética, da história e da filosofia moral, no culto da língua latina e grega e dos seus autores | O engenho e os dotes naturais do poeta devem-se conciliar com as exigências da arte |
| Os humanistas do Renascimento crêem que estes estudos são a expressão mais autêntica e a salvaguarda mais segura da dignidade do Homem | Princípio da normatividade |
| Equilíbrio, simplicidade e elegância das formas, enriquecendo com cultismos de origem helénica e latina | |
| Epopeias, tragédias, odes, elegias e éclogas |
A mitologia n’Os Lusíadas
- Fontes da obra
- História do Descobrimento – Fernão Lopes de Castanheda
- Conquista da Índia pelos Portugueses – Fernão Lopes de Castanheda
- Roteiro da Viagem de Vasco da Gama
-
- Fontes cosmológicas desconhecidas, algumas possibilidades:
- Experiência própria
- Roteiro de Lisboa a Goa – D. João de Castro
- Theoricæ Novæ Planetarum – Jorge Purbáquio
- Tratado da Sphera – Pedro Nunes
- Nicolau Copérnico
-
Ao ler Os Lusíadas podemos constatar que o autor não podia apenas basear-se na sua própria experiência. Alguns destes livros são uma possibilidade do seu estudo da cosmologia, por exemplo Nicolau Copérnico. Acredita-se que Camões terá estudado as suas obras, mas também existe a possibilidade de que este não tivesse conhecimento das suas teorias, pois Copérnico, nos tempos de Camões, não era tão ideologicamente marcado como veio posteriormente a estar.
Então, temos certezas de que existem múltiplas referências celestes na sua obra, só não temos certezas de que referências são essas.
Breve resumo da História de Portugal
| 1147 | Afonso Henriques ajuda um grupo de cruzados ingleses e franceses, que vinham conquistar Lisboa aos mouros |
| 1249 | São expulsos os últimos mouros de Portugal |
| 1385 | Batalha de Aljubarrota |
| 1386 | Tratado de Windsor |
| 1415 | Conquista do porto mouro de Ceuta |
| 1419 | Construção do porto de Sagres |
| 1420 | Exploração do litoral do Oeste Africano |
| 1457 | Implementação do cruzado – 1ª moeda de ouro |
| 1488 | Bartolomeu Dias dobra Cabo das Tormentas |
| 1492 | Portugal aceita 60 mil judeus expulsos de Espanha |
| 1496 | Contra-Reforma Católica - D. Manuel I obriga judeus a converterem-se ao Cristianismo |
| 1500 | Descoberta do Brasil |
| 1580 | Perca da independência para Espanha |
Síntese
- Os Lusíadas são um texto renascentista traduzindo o espírito optimista do Renascimento e a inspiração humanista
- A oscilação entre a fé e a dúvida, entre o optimismo e pessimismo criam uma divisão dramática que atinge os próprios fundamentos da épica
- Esta tensão interna constitui uma das manifestações mais acentuadas do maneirismo
- Os Lusíadas celebram os Portugueses enquanto nação e colectividade
- É uma epopeia que selecciona os episódios e as figuras, de modo a fazer avultar o lado heróico e exemplar da História, cantando-a
- O poema é universal, louva não só os Portugueses mas o homem em geral
- Os Lusíadas celebram a capacidade de alargar e aprofundar o saber e de não ser vítima da fatalidade
- Um dos temas épicos consiste na comparação sistemática com os modelos antigos, com o apogeu na divinização dos heróis
- Camões é também a consciência crítica. Não desconhece nem esconde os erros, os defeitos e os crimes dos portugueses. No final do Canto VII denuncia com mágoa a hipocrisia e o abuso do poder
- Relembra que a Cristandade atravessa um momento crítico devido às divisões religiosas motivadas pela Reforma
- A apoteose encerra num fundo pessimista, confessa que o poeta não acredita na recompensa real dos heróis. Celebra o povo, mas ao mesmo tempo revela a sua incapacidade de saber reconhecer os seus filhos mais dignos
- O poeta designa-se a si próprio como um dos portugueses dignos de menção na epopeia
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