sábado, 6 de fevereiro de 2010

Lição 28 (02-02-2010)

QUEM É ÁLVARO CAMPOS?

       O poeta que quer pensar, mas refere: “dói-me o que irei concluir”, “tenho sido como erva arrancada, deixada em molhos, sem sentido”, “cansa-me mesmo o que ainda não li”, “adormeço sem dormir, ao relento da vida”, “o destino humano é ser escravo”, “um mal-estar a fazer-me pregas na alma”, por isso “vivo a vida vegetativa de pensamento”.

 

Dactilografia

Infância/sonho, felicidade Real/monótona, infeliz, banal, falsa
VIDA MORTE
 

Síntese do poema: o poeta considera-se enterrado em vida, pois a vida real é pesada, monótona, em que a regularidade dos gestos, transmite a própria regularidade do sofrimento. A única forma de vencer o desespero é isolar-se através da meditação do sonho, da recordação da infância, da memória dos castelos, dos livros de infância, grandes livros coloridos cheios de imagens opostas (“paisagens do Norte”, “palmares do Sul opulentos”) que o colocavam num estado de fantasia próximo do sonho, do irreal, da felicidade. O contraponto é o som “banalmente sinistro” da sua realidade que se traduz no “tic-tac” estalado das máquinas de escrever. Conviver com os outros dá-nos uma vida falsa, uma espécie de névoa que faz com que caminhemos apenas para a morte.

maqescrever05

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