sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lição 16 (17-11-2009)

Poema de Fernando Pessoa - “Ah, quanta vez, na hora suave”

(Consulta a ficha aqui)

(Consulta a 2ª parte da ficha aqui)

1. O poema sugere-me três ideias principais: liberdade, simplicidade e facilidade.

Liberdade – “porque ter asas simboliza liberdade”. A ave tem liberdade, voa por onde quer, no céu aberto que é o seu mundo, um espaço imenso. O autor tem o seu mundo limitado pelo racional, não é como a ave que não pensa. Não pensar é ter liberdade para o poeta.

Simplicidade – “Ah, quanta vez, na hora suave/Em que me esqueço”. A ave não é racional, não pensa, não se lembra nem esquece das coisas, dos problemas. Mais uma vez o poeta demonstra o seu desejo de não ser racional, sentir apenas as coisas como a ave e ser livre e simples como ela.

Facilidade – “Porque vai sob o céu aberto/Sem um desvio”. A ave tem todo o céu para ela, um espaço amplo, sem obstáculos em que tenha que fazer desvios. É isto que o autor quer, ter uma vida sem barreiras, sem ter que trocar de caminhos devido aos problemas que vão surgindo. Ter uma vida simples como a de uma ave.

2. A tristeza do poeta provém do facto de ele não poder ser livre como as aves, está limitado pelo pensamento, pelo facto de ser racional. As aves voam em céu aberto sem obstáculos, enquanto que o poeta tem que ultrapassar várias barreiras ao longo da vida. Ele quer a liberdade, a simplicidade e a facilidade de uma ave.

3. O poeta utiliza a aliteração em “v” precisamente pelo voo da ave. O “v” é a sonoridade do seu voo. Ele demonstra o seu desejo também através deste jogo de sons, por exemplo em “Vejo passar um voo de ave” e logo de seguida o poeta diz que se entristece. Este som dá mais ênfase ao seu desejo de ser uma ave.

4. Para Fernando Pessoa, felicidade e racionalidade não são compatíveis. Para o poeta, ser feliz, exige ser como uma ave, como vimos no poema anterior. Ser livre (de pensamentos), não ter obstáculos, não ter problemas, enfim, ter uma vida simples.

O poeta no poema “A dor de pensar” demonstra, também, este desejo, mas aqui na ceifeira, por ela ser inocente e simples como uma ave: “Ter a tua alegre inconsciência”. Ainda, neste poema, o poeta demonstra uma grande e complexa rede de pensamentos, todos eles lógicos. Mas são estes pensamentos que o impedem de ser feliz: “Ter a tua alegre inconsciência,/E a consciência disso”, assim como o seu pensamento na citação referida acima. Ele apenas quer ser feliz, mas o conhecimento, “a ciência” (“A dor de pensar”), não o permitem, porque existe um amplo leque de circunstâncias que o impedem. No poema “Ah, quanta vez, na hora suave” quer ter o que o voo da ave tem, dentro de si, e no poema “A dor de pensar” que ser a ceifeira, mas sendo ele ao mesmo tempo. Coisas que são impossíveis, mas que ele deseja, porque acredita que só assim consegue ser feliz.

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