1. À imagem de Cesário Verde descreve cinematograficamente o percurso de tua casa à escola (podes fazer em verso).
O portão desliza,
Um passo em frente,
Nesta manhã, corre uma brisa.
O Sol nasce à minha frente.
O barulho do motor
Substitui o canto dos pássaros.
Entro no carro e na minha dor,
E partem os pássaros.
Nesta viagem curta, nada me seduz.
Infinita. Nunca mais acaba. É longa.
Mesmo que fosse á velocidade da luz,
A viagem me parecia longa.
Saio do carro, entro no autocarro.
Pareço um robot programado
Para agir tal como um carro:
Fazer o que está programado.
E mais uma vez…
O portão desliza,
Um passo em frente.
Nesta manhã corre uma brisa.
O Sol alto à minha frente.
Encontro-me na escola…
…as aulas começam.
2. Num texto entre 180 e 220 palavras comenta a frase de Cesário: “Pinto quadros por letras, por sinais.”
Cesário pinta quadros por letras, por sinais.
Cesário utiliza as letras para expressar a sua visão de artista.
Cesário Verde é muito observador. Domina as palavras para descrever o que o inspira. A tinta da caneta é como a tinta utilizada para pintar um quadro. A forma como utiliza as palavras, é a forma como um pintor utiliza a tinta. A forma como distribui as palavras, é a forma como um pintor distribui os elementos dos seus quadros. A forma como Cesário vê o mundo e o consegue descrever por palavras, é a forma como um pintor vê o mundo e o pinta.
As tonalidades que Cesário pinta nos seus poemas, os pormenores captados pelos seus olhos, os ângulos descritos por si, as expressões e sensações transmitidas ao leitor, digo ao observador, são todos eles captados apenas de uma forma: ao apreciar o quadro que são as suas quadras.
Para acabar quero dizer apenas mais uma coisa, que acredito que concordem comigo: Cesário é o Picasso das letras.
Tentem justificar o contrário.
3. Em cerca de 10 linhas refere o poema de Cesário de que mais gostaste. Justifica.
“Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes/E os ângulos agudos.”
Sim, adivinharam! O poema de que mais gostei de Cesário Verde foi “Contrariedades”. Fascina-me a forma como utiliza as palavras para descrever a revolta que sente no momento. A crítica que faz à imprensa por terem rejeitado “arte”: a sua escrita. O desejo de ser reconhecido. Enquanto isso, observa a mulher que morre lentamente em frente aos seus olhos, mas que continua viva entre os versos dos seus poemas. Tal como tudo o que vive nas suas estrofes.
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