segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Lição 6 (06-10-2009)

 

1. À imagem de Cesário Verde descreve cinematograficamente o percurso de tua casa à escola (podes fazer em verso).

 

O portão desliza,

Um passo em frente,

Nesta manhã, corre uma brisa.

O Sol nasce à minha frente.

 

O barulho do motor

Substitui o canto dos pássaros.

Entro no carro e na minha dor,

E partem os pássaros.

 

Nesta viagem curta, nada me seduz.

Infinita. Nunca mais acaba. É longa.

Mesmo que fosse á velocidade da luz,

A viagem me parecia longa.

 

Saio do carro, entro no autocarro.

Pareço um robot programado

Para agir tal como um carro:

Fazer o que está programado.

 

E mais uma vez…

 

O portão desliza,

Um passo em frente.

Nesta manhã corre uma brisa.

O Sol alto à minha frente.

 

Encontro-me na escola…

 

…as aulas começam.

 

2. Num texto entre 180 e 220 palavras comenta a frase de Cesário: “Pinto quadros por letras, por sinais.”

       Cesário pinta quadros  por letras, por sinais.

       Cesário utiliza as letras para expressar a sua visão de artista.

      Cesário Verde é muito observador. Domina as palavras para descrever o que o inspira. A tinta da caneta é como a tinta utilizada para pintar um quadro. A forma como utiliza as palavras, é a forma como um pintor utiliza a tinta. A forma como distribui as palavras, é a forma como um pintor distribui os elementos dos seus quadros. A forma como Cesário vê o mundo e o consegue descrever por palavras, é a forma como um pintor vê o mundo e o pinta.

      As tonalidades que Cesário pinta nos seus poemas, os pormenores captados pelos seus olhos, os ângulos descritos por si, as expressões e sensações transmitidas ao leitor, digo ao observador, são todos  eles captados apenas de uma forma: ao apreciar o quadro que são as suas quadras.

      Para acabar quero dizer apenas mais uma coisa, que acredito que concordem comigo: Cesário é o Picasso das letras.

      Tentem justificar o contrário.

 

3. Em cerca de 10 linhas refere o poema de Cesário de que mais gostaste. Justifica.

      “Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes/E os ângulos agudos.”

      Sim, adivinharam! O poema de que mais gostei de Cesário Verde foi “Contrariedades”. Fascina-me a forma como utiliza as palavras para descrever a revolta que sente no momento. A crítica que faz à imprensa por terem rejeitado “arte”: a sua escrita. O desejo de ser reconhecido. Enquanto isso, observa a mulher que morre lentamente em frente aos seus olhos, mas que continua viva entre os versos dos seus poemas. Tal como tudo o que vive nas suas estrofes.

Sem comentários:

Enviar um comentário