Era a deusa mais bonita dos céus. Longos fios de cabelo lisos e castanhos, os seus olhos verdes hipnotizavam todos à sua passagem, uma silhueta com contornos mais perfeitos que uma escultura, mas porém nunca ninguém vira o seu sorriso. Chuva, ela se chamava, mas nunca vertera uma gota. Pensava-se que esta bela deusa não tinha emoções. Nunca se vira um sorriso ou uma lágrima. Uma gargalhada ou um choro. Um riso ou um simples pingo cair dos seus olhos rasgados. Chuva era como um dia de nevoeiro, onde nem Sol nem água se vêem. Apenas nuvens. Apenas uma nuvem. Sem emoção, sem razão, sem destino, sem vontade, sem nada, sem si. E foi naquele momento. Não vi um sorriso na sua cara, mas vi uns pequenos raios saírem por entre aquela neblina que a envolvia.
Pequenos raios que nunca imaginara existirem em Chuva. Aquele momento onde uma simples brisa a acariciou.
Uma brisa de nome Vento.
Chuva ouviu este nome e nunca mais o esqueceu. Lentamente assisti à sua metamorfose, como que de uma transformação de larva em borboleta eu estivesse a presenciar. O nevoeiro que protegia Chuva de todo o resto do mundo começou a evaporar dando lugar a um brilho hipnotizante como os seus olhos. Via-se agora uma Chuva ardente como o sol, brilhante, a raiar felicidade....sorridente. Como nunca antes visto. Ela era uma deusa linda, ele, um desconhecido para todo o reino, mas que trouxera a felicidade aos braços de Chuva. Mas o brilho, que o amor deles fazia espalhar, depressa se transformou numa grande, forte e assustadora explosão!!
Era Trovão, pai de chuva e imperador dos céus. Vento era um desconhecido, a sua filha jamais se poderia apaixonar por um plebeu como este, com os seus caracóis desgrenhados e roupas rasgadas. Chuva era noiva de Arco, um jovem forte, elegante, cheio de vida e cor, um deus ao nível do coração da sua filha, julgava Trovão. Rapidamente o sorriso, nunca antes visto, de Chuva desapareceu. Não havia mais sol em Chuva, mas sim tristeza. A deusa, que se julgava não ter emoções chorou durante noites e dias, dias e noites, noidias e diates.
Arco é um deus vindo de uma família muito importante, a família Íris, mas o seu dinheiro não fazia Chuva raiar de novo. Não!! Apenas uma pessoa o podia fazer. Um jovem com os seus caracóis desgrenhados e roupas rasgadas. Um simples plebeu. Uma simples brisa. Uma brisa que não se vê mas sente-se...Amor. Apenas Vento o podia fazer. Mas Trovão nunca permitiu isso. Então naquele reino nunca mais se viu o brilho de Chuva. Apenas lágrimas. Lágrimas de Chuva.
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